quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sobre Viajar

Aquarela de Sônia Madruga
“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” (Amyr Klink)

Enviado pela colaboradora Emanuele Campelo.
 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Flanando por Amsterdan

Casa flutuante no canal
Chinatown


Pela terceira vez visitando Amsterdam e com apenas dois dias para explorar seus recantos, dei-me ao luxo de flanar pela cidade, repetindo passeios, descobrindo outros, fuçando lugares incertos para uma boa comida, para concluir que Amsterdam é sempre surpreendente! Pela sua promiscuidade nata, pela droga liberada, pelo grande fluxo de turistas, pelos seus queijos e derivados de leite, pelas suas flores, tudo isso convivendo harmonicamente, com um funcionamento quase perfeito da cidade.
Chegamos pelo aeroporto de Schirpol, de onde pegamos um trem (4,40 euros) para a Centraal Station em uma rápida viagem de aproximadamente 17 minutos.
Na cidade repetimos o Canal Tour, pois é sempre lindo! Pagamos 8 euros por pessoa. Mas tem que checar, pois cada companhia tem um preço diferente. Embarcados, apenas relaxamos observando cada paisagem mais fascinante que a outra. Adoro as casas flutuantes, com seus vasos floridos nos decks.
Saindo do porto, que fica em frente à Centraal Station, demos uma passada pelo Red Light District, para checar as novidades. E seguimos para a inusitada, até então desconhecida, Chinatown. Não sabia que existia uma em Amsterdam. Vale a pena visitar, com seus inúmeros restaurantes e lojas orientais. É um passeio simpático e bucólico. Dali fomos caminhando até o Mercado de Flores Flutuantes, que fica em Munt Plein. As barracas de flores ficam em lojas flutuantes sobre o canal. Na área existem inúmeras lojas de queijos e outras iguarias. A degustação é imperdível. E vale trazer um queijo na mala. Se vai ser barrado na alfândega, não sei...
Anotem as dicas desta viagem:
Hotel Best Western Dam Square: ótimo atendimento, café da manhã gostoso e localização melhor, impossível! Bem no centro da cidade.
E por entre as ruelas, muitas padarias, cafeterias, lojas de salgadinhos em vitrines – rede Febo, batatas fritas em cones, com muita maionese...
Para quem quer comida aconchegante e barata, na área de Dam Square recomendo:
Hasta La Pasta (http://www.facebook.com/HastaLaPastaAmsterdam): para comer massas feitas com capricho e carinho, com um bom tempero caseiro.
Dutch Four BV (endereço: Zoutsteeg, 6): um espacinho para degustar peixes fritos com pickles, pão e pastinha. Você pode optar por sanduíches também. Experimente o bacalhau fresco. O dono, holandês, é quem prepara tudo. Típico dos pequenos lugares de comidas em Amsterdam: apenas o dono fazendo o lugar funcionar.

Leia sobre a viagem completa em Pelo Norte da Europa.
Leia sobre outra grande viagem de trem que teve início em Amsterdam até Roma.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Pelo Norte da Europa

Langelinie - símbolo de Copenhagen


Tirar férias é sempre muito bom! Melhor ainda quando a gente tem oportunidade de sair para outros ares. Prefiro investir minhas economias viajando, pois considero uma forma de crescimento sem igual. Com certeza não guardo como preciosa lembrança meu Fiat Uno Mille, adquirido com suor em 1997. Mas, certamente, jamais me esquecerei de uma viagem de trem que começou em Amsterdan e terminou em Roma, feita em 1993. E assim se sucede com cada viagem feita. Por isso, cada vez mais procuro viver a vida de forma simples, sem grandes ostentações ou aquisições materiais, em prol de poder realizar o que mais me engrandece: viajar!
Farol de  Warnemunde

Retornando de férias semana passada, decidi atualizar este blog com minhas lembranças mais recentes, vividas no último mês. Foi um dos roteiros mais elaborados que já fiz. Chamei este de roteiro avançado, já que exigiu muita pesquisa e certa experiência prévia, o que evitou surpresas durante o percurso. Abaixo faço um resumo da aventura vivida no norte da Europa.

Saímos do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), com destino a Copenhagen, Dinamarca. Um grupo de cinco pessoas com ótima relação interpessoal. Dou ênfase a esta parte, pois para viajar em grupo é necessário que haja um entrosamento muito bom entre as pessoas.

Copenhagen nos surpreendeu pela civilidade da população e beleza do conjunto arquitetônico local. Sendo a Dinamarca um país regido pela monarquia, o turismo não poderia deixar de engrandecer os seus grandes palácios, com troca de guarda e joias da coroa. Por isso, visitamos Rosenborg Slot  (castelo  de verão), Amalienborg (palácio de inverno),
Centro de Rostock
Kastellet (a fortificação que guardava a entrada da cidade), Christiania (uma comunidade hippie dos anos 70), Nyhavn (aquelas casinhas de madeira que brincávamos na infância) com seus lindos canais, Opera Hall (construção mais moderna),Tivoli Park, Langelinie (a pequena sereia), entre muitas outras atrações que a cidade oferece. Chamou a nossa atenção incontáveis grupos de crianças em idade escolar em excursões, guiadas por poucos adultos, que não precisavam do mínimo esforço para controlá-las devido a disciplina e educação de todas elas. Em frente ao City Hall (local onde reúnem-se grupos em manifestações) tivemos a oportunidade de presenciar uma manifestação que reuniu um grande grupo de brasileiros em protestos por melhorias em nosso país.
Após quatro dias explorando Copenhagen, embarcamos em um navio de cruzeiros com rumo a navegação pelo mar Báltico, que fica no norte da Europa. Por isso, nosso próximo destino foi a Alemanha.
Desembarcamos em Warnemunde, uma cidade de veraneio muito agradável. Apesar da amenidade do clima, a cidade estava cheia de veranistas que ocupavam a faixa de areia diante do mar praticando esportes, tomando sol, lendo e poucos na água, que devia estar fria. Warnemunde é uma mistura de praias brasileiras pela sua beleza, com interior da Europa, devido a sua arquitetura de casinhas bonitas, com jardins floridos. Tem um cais muito animado com muitos bares lotados de turistas agarrados com suas canecas de cerveja, naturalmente. Fosse mais quente, moraria por lá.
De Warnemunde, tomamos um trem em uma curta viagem. Desde a estação, tomamos um bonde que nos levou ao coração de Rostock, uma cidadezinha bem medieval, com o prédio mais antigo da cidade, a prefeitura, datado de 1270. E, fica em Rostock também, uma das universidades mais antigas do mundo, desde 1419. É muito bem preservada a cidade, mantendo portas e partes de seu muro medieval bem conservados. Seu povo fala pouco inglês e vive de modo simples, nesta cidade interiorana que oferece toda boa infraestrutura dos países de primeiro mundo. Por lá, aproveitamos para degustar uns canecos de boa cerveja alemã, acompanhados de salsichas e outros embutidos locais.
Após o encantamento de nosso primeiro destino marítimo, voltamos ao aconchego do lar. Digo, de nossa casa flutuante. Enquanto nos divertíamos e depois nos embalávamos ao tremor das marolas, nosso hotel nos levava a outro destino. Acordamos ancorados no mar de Visby, uma encantadora ilha sueca. Também medieval, com portais e o muro mais preservado no mundo. Com construção iniciada em 1166, a cidade conta com 3,4km de muralhas intactas até os dias de hoje. Desde seu porto até a parte mais alta da cidade, são diversas ruelas em forma de labirinto, repletas de encantadoras casinhas floridas. Uma forma inteligente de morar dos vikings, que dificultava a invasão por seus inimigos.
Ao fim do dia, depois de degustarmos doces acompanhados de capuccinos, em Gotland (nome da ilha), partimos para atracar no dia seguinte em Riga, a capital da Letônia, um país que recentemente passou a fazer parte da União Européia. Riga, como a maioria das capitais que visitamos, não fica atrás em primor e encantamento, pela delicadeza de seus prédios. A poucos passos do porto, fica a entrada do centro histórico que abriga algumas igrejas e muitos prédios datados da idade média. O destaque gastronômico em Riga fica para seus maravilhosos pães recheados. E destaco também a beleza das flores, como em todos lugares que visitamos.
Mais uma vez partimos para uma noite de sonhos em nosso grande navio. Em seguida atracamos na capital da Estônia, Tallin, com seus bonitos prédios, obviamente antigos, como toda essa parte da Europa. Entramos na cidade pela torre de Margarida, a gorda. Uma larga torre com paredes de até 4 metros de espessura. Andamos sem rumo pelas ruelas, até a Praça da Prefeitura, lugar repleto de turistas e com um dos prédios mais conservados da idade média, datado de 1409. Aproveitamos para uma parada técnica, para nos abastecer, no Olde Hansa, um restaurante que sobrevive com mesmos costumes e comidas servidas ainda na Idade Média.
Estocolmo, Suécia
Seguimos viagem rumo ao país que mais nos criava expectativas e onde passaríamos os próximos três dias. Atracamos em St. Pettersburg, na Rússia, onde descobrimos que o russo estudado foi nossa salvação, num lugar onde as pessoas não gostam de falar inglês ou espanhol. Foram dias de aventura descobrindo a grandiosidade dos monumentos nesta grande cidade. Ao visitar tantos palácios e edifícios monumentais como Peterhof, Museu Hermitage, Igreja do Sangue Derramado, entre outros, dá para entender porque o povo se rebelou contra o modo de vida de ostentação de seu czares, fazendo uma revolução contra o governo. Foram dias muito quentes na Rússia. E foi piorado este
calor, pela falta de infraestrutura que nos refrescasse. Conclusão: barcos, restaurantes, prédios grandiosos e até o metrô (com o buraco mais profundo de todos metrôs que conheço: 2 minutos e 10 segundos na escada rolante) num calorão doido, sem sombra de ar-condicionado.
Depois de dias suando, partimos para o que parece normalidade no norte da Europa. E Helsinki, na Finlândia, nos recebeu de braços abertos com seu frescor de aproximados dezesseis graus. Voltamos a terra da civilidade, do povo simples e culto, vivendo o máximo da infraestrutura em transportes urbanos, limpeza e perfeição, sem a ostentação do nosso último destino. Os finlandeses são muito cordiais, vivem bem e comem melhor ainda. Moraria lá também, não fosse tão frio. Destaco duas igrejas a visitar: a catedral Luterana de Tuomiokirkko e a Ortodoxa de Uspenski. Ambas lindas! E para provar especialidades finlandesas como salmão, bacalhau fresco, arenque e bolo de carne, fomos ao Mercado Central (Kauppatori Market), localizado no porto, com barraquinhas de comidas, artesanatos e souvenires. Recomendo tomar cuidado com as gaivotas famintas e ávidas por roubar o seu lanche. Para evitá-las, donos das barracas locais trataram de cobrir a área com redes.
Amsterdam, Holanda
Atracamos em nosso último porto, para passar dois dias em Estocolmo, na Suécia. Tomamos um ônibus para o centro da cidade histórica, Gamla Stan e fomos explorar suas ruelas repletas de restaurantes e gente bonita. Chegamos ao palácio real em tempo de ver a troca da guarda deste país de regime monárquico, com sua rainha Sílvia, filha da brasileira Alice. Visitamos também Stockholms Stadshus, o bonito prédio da prefeitura onde anualmente se entrega o prêmio Nobel. A recordação da cidade, com sua linda marina repleta de iates e barcos, é das melhores. Um dos lugares mais bonitos e grandiosos que visitamos.
Londres, Inglaterra
Finalmente desembarcamos do navio, abandonando nosso hotel flutuante, e voamos novamente, desta vez, com destino a cidade de Van Gogh. Chegamos em Amsterdan, na Holanda, uma cidade que vive repleta de turistas e malucos. Um caos bem organizado. Passamos apenas dois dias por lá, por isso não deu para nos dedicarmos muito aos museus.  Aqui reforço apenas o passeio de barco pelos canais e destaco como lugares que ainda não tinha ido e valem a pena, Chinatown, vizinho ao bairro da Luz Vermelha e o mercado de flores flutuantes. No mais, vale trazer um queijo holandês na mala.
Agora vamos para nosso destino final: Londres. Saímos de Amsterdam em um trem com destino a Bruxelas, na Bélgica. Fizemos uma longa conexão, para aproveitar um pouco do lugar e degustar alguns chocolates belgas. Em seguida, tomamos o Eurostar, trem que nos ligaria da França a Inglaterra, por baixo do mar, pelo canal da Mancha. Chegamos a Londres pela parte da tarde e encontramos a cidade, como sempre, um rebuliço: lotada de turistas, restaurantes, cafés, atrações e seus pubs, onde se come o tradicional peixe com batatas fritas, muito típico da Inglaterra. Mas seria impossível dar mais detalhes sobre esta cidade, de tão intensa que ela é. Sobre Londres, falarei em uma próxima matéria, pois tanta cidade não caberia neste espaço.
Após quatro dias com tempo inclusive para ir até Wimbledon, onde todos se concentravam para assistir a semifinal de tênis, tivemos que tomar nosso voo desde Londres, de volta ao Brasil. Férias "is over"(do "vacation is over"). Agora é voltar ao trabalho, lembrando sempre que ele nos proporciona a possibilidade de realizar nossos sonhos. Desde que eles não sejam maiores que nossas capacidades!