sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Boicote ao preconceito

Por: Adriana Aguiar Ribeiro
Viva a diversidade!
Nassau - Bahamas

Adoro viajar! Sempre vale a pena. Porém, tenho restrições a certos destinos. Não gosto de nações que exercem descaradamente preconceitos raciais ou de gênero. Por isso me abstenho ao desejo de visitar alguns países do Oriente Médio, ou os que misturam religião com política e se deixam governar por filosofias radicais. Não tenho interesses profundos na Índia.  Não gosto de pensar que serei vista como mulher em países onde, com frequência, cidadãos e sociedade profanam o direito de ser feminino. A falta de desejo de visitar Cuba decorre de não querer viver um regime que tolhe o indivíduo de fazer suas escolhas políticas, profissionais e econômicas. Acho que qualquer pessoa que vive em uma democracia estranharia enormemente não poder tomar suas decisões quanto ao modo de
Beleza das diferenças
Cozumel,- México
viver. E àqueles simpatizantes digo: vivam lá e depois venham pregar suas lindas ideologias! Vide exemplo dos médicos cubanos que, vivendo no Brasil, têm experimentado o gosto da liberdade de expressão. Rússia? Também impressionam atitudes do governo, agora retaliando a liberdade de expressão sexual. Estive lá, mas tenho ressalvas.
Visitei Lima há alguns anos. Mas agora, mesmo que acalente o desejo de conhecer Machu Pichu, pensarei duas vezes.  Isto devido às grosseiras manifestações de racismo dos torcedores do Real Garcilaso contra o Jogador Tinga, do Cruzeiro de Minas Gerais. Aconteceu esta semana na cidade de Huancayo, no Peru, durante o jogo pela Copa Libertadores. Que feio para o povo peruano! O Real Garcilaso deve ser punido com repúdio pelo lamentável ato de sua torcida.
A graça da variedade
Helsinki - Finlândia
Defeitos todas as sociedades têm. Mas o pior deles é o desrespeito ao cidadão e à democracia. Pois a liberdade de expressão do indivíduo é sagrada e deve ser muito prezada.
 
Por isso tenho minhas restrições. Não quero ser conivente com certas sociedades. É preciso que se aprenda a respeitar o diferente. E viva a diversidade!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Olivença, distrito de Ilhéus, BA

Boas ondas em Olivença!

Por: Adriana Aguiar Ribeiro
Equipe feminina de body-board
Já surfei de body-board (prancha de peito). Não foi apenas um hobbyzinho passageiro. Foram anos de dedicação, participação em campeonatos, com patrocínios, viagens... Não que eu fosse tão boa nisso, mas posso garantir que estava entre as primeiras mulheres a iniciarem esta prática no Brasil, por volta de 1981.
Por isso, nesta época, frequentar destinos que tivessem boas ondas era uma prática comum. Foi assim que acabei conhecendo Olivença, distrito da ensolarada cidade de Ilhéus, na Bahia.  Praia de ondas pequenas e perfeitas, onde conheci Jojó de Olivença, surfista famoso  na época. Optei por armar uma barraca em um camping repleto de coqueiros, à beira-mar. Foi uma boa experiência, apesar de ter ficado apenas três dias. Época de orçamento apertado, não dava para fazer muita coisa, mas lembro-me bem das cocadas, dos acarajés, água de coco, peixes e siris oferecidos nas biroscas da beira da praia. Tudo uma delícia!
Tenho vontade de rever a cidade adotada pelo escritor Jorge Amado e conhecer um bocado de sua parte histórica, com suas igrejas, a Casa de Cultura e degustar a boa comida baiana. Uma boa opção atualmente são os cruzeiros que vão para Salvador, saindo do Porto de Santos ou Rio de Janeiro e passam um dia pela cidade de Ilhéus.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Molching, cidade fictícia da Alemanha

Sobre o filme A menina que roubava livros

Por: Adriana Aguiar Ribeiro

Ontem tive a oportunidade de ver no cinema o filme A Menina que Roubava Livros, estreado no último dia trinta e um e baseado no livro de mesmo título. Estava ansiosa pela estreia do filme, já que gostei muito da literatura. O filme, ao contrário de muitas produções baseadas em obras literárias, não decepcionou. Conseguiu reproduzir de forma fiel a narrativa de Markus Zusak em sua obra original. É um filme triste, assim como o livro. E não poderia ser diferente, quando a história é contada pela morte, sob sua ótica. Curiosamente a cidade de Molching, onde se desenrola a trama, é fictícia. Talvez inspirada em Olching, cidade alemã próxima ao campo de concentração de Dachau. E a bomba que destruiu o bairro de Liesel, personagem principal, foi inspirada em muitas outras bombas, destinadas às fábricas, depósitos de munições e outros, que por erros de cálculos atingiram bairros residenciais, na segunda guerra mundial.

O filme, além de bem produzido, cumpre também a função de lembrar a vertiginosa carnificina que foi o Holocausto, baseado em uma tradição antissemitista que ganhava força na cultura ocidental, perpetrado pela Alemanha Nazista, exterminando aproximadamente 6 milhões de judeus, na segunda Guerra Mundial. Nunca é demais recordar os horrores e as marcas indeléveis causados pelas guerras.

Por isso, considero que a crítica ao filme feita ontem (01) e hoje no Segundo Caderno do Jornal O Globo, não deve ser levada tão a sério. André Miranda* classifica o filme como drama e faz a seguinte crítica ao filme: "É o tipo de produção 'feita para chorar' ". O bonequinho do Globo dorme sentado em sua poltrona.  Suponho que o crítico não deve ter lido o livro do autor acolhido com críticas radiosas nas revistas Publishers Weekly, School Library Journal, KLIATT, The Bulletin e Booklist, ao classificar a narrativa na tela como a pior possível. Não sou crítica, por isso não vale a opinião de que gostei do filme. Mas tenho certeza que há produções muito piores onde os críticos aplaudem de pé, com o seu bonequinho. Talvez o comentário crítico  tenha sido  pouco responsável e fundamentado.

Segundo Mario Vargas Llosa, em A civilização do espetáculo, "o certo é que a crítica, que na época dos nossos avós e bisavós desempenhava papel fundamental no mundo da cultura por assessorar os cidadãos na difícil tarefa de julgar o que ouviam, viam e liam, hoje é uma espécie em extinção à qual ninguém faz caso, salvo
quando se transforma também ela, em diversão e espetáculo. (...) O vazio deixado pelo desaparecimento da crítica (...) antes desempenhada, nesse âmbito, por sistemas filosóficos, crenças religiosas, ideologias e doutrinas, bem como por aqueles mentores que na França eram conhecidos por mandarins de uma época, hoje é exercida pelos anônimos (...). Quando uma cultura relega o exercício de pensar ao desvão das coisas fora de moda e substitui ideias por imagens, os produtos literários e artísticos são promovidos, aceitos ou rejeitados pelas técnicas publicitárias e pelos reflexos condicionados de um público que carece de defesas intelectuais e sensíveis para detectar os contrabandos e as extorsões de que é vítima." Em sua obra o autor dá a impressão de que a crítica não é mais levada a sério nos dias atuais, assim como é exercida de forma irresponsável pelos profissionais da área.

*É Jornalista e crítico de cinema do jornal O Globo. Trabalhou como professor de vídeo para adolescentes moradores da Rocinha por dois anos, onde produziu e dirigiu documentários com a participação dos jovens. Mas quase ninguém os viu. Também fez vídeos com moradores de rua da Lapa, igualmente desconhecidos. Perfil de André Miranda extraído da página online da Associação de Críticos de Cinema do Rio de janeiro - ACCRJ, da qual é membro.

Viajando de trem de Amsterdam a Roma - parte III

De Zurique a Innsbruck


Roteiro: Amsterdam (Holanda), Frankfurt (Alemanha), Zurique (Suíça), Innsbruck (Áustria), Veneza, Florença e Roma. 

Diário de uma viagem que ocorreu em maio de 1995

Por: Adriana Aguiar Ribeiro
"Como contei, fizemos uma mudança para lá de radical nos planos: ao invés de tomarmos o voo planejado para Viena, decidimos seguir de trem até Innsbruck, também na Áustria. Afinal, é muito mais cômodo ir até a estação e aguardar o trem na plataforma, entrar e se acomodar com as malas, que ter que passar por todo o estresse de deslocamento até o aeroporto, de fazer o check-in e imigração, que um voo internacional exige.
Embarcamos na estação de Zurique, Suíça. O clima dos viajantes que aguardavam o trem na plataforma fria era pura descontração. Grupos de mochileiros de todas as idades vestindo roupas coloridas levavam seus esquis e demais equipamentos para prática de esportes no gelo. Todos atraídos pela notícia de que neva muito pelos Alpes Austríacos.
Pela janela do trem observo que lá fora está tudo completamente branco. Neva sem parar! A paisagem está linda! Percorri quase todo o trem, atravessando cada porta automática, para chegar ao último vagão e me deleitar com a estrada branca ficando para trás, com seus lagos e a incrível vista proporcionada pelas maravilhosas montanhas dos Alpes. Ao retornar a minha cabine não resisti ao delicioso aroma da cafeteria. Parei no vagão restaurante e acomodei-me em uma pequena poltrona para bebericar um encorpado chocolate quente. É daqui que escrevo estas notas de viagem que algum dia, talvez, serão lidas por alguém."

Para ler sobre o roteiro completo clique aqui.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Punta Del Leste, Uruguai

Por: Adriana Aguiar Ribeiro
Leão marinho no porto


Estive duas vezes em Punta Del Leste. E voltaria novamente. Pois aprecio os uruguaios e seu modo caloroso de receber aos brasileiros. Gosto do clima de praia de Punta, com sua rua principal repleta de turistas badalando pelas lojinhas e enchendo os restaurantes que servem porções generosas de chivitos*. Não me pergunte pelo Conrad Cassino, pois não tive tempo nem interesse em entrar. Pergunte-me sobre Los Dedos saindo da areia, o símbolo da cidade cravado a beira-mar, na bonita Playa Brava, sempre cheia de banhistas. A feirinha do centro, com seus artesanatos regionais. As casas chiques de muros baixos, com gramados e jardins floridos, bem ao estilo americano. As ruas limpas e organizadas. Os uruguaios agarrados as suas cuias de chimarrão. Os maravilhosos doces de leite vendidos nos supermercados. A marina cheia de embarcações e os lindos leões marinhos que ficam tomando sol no cais do porto: desafiando turistas e posando sem cerimônia para os diversos cliques das câmeras. Pois voltaria mesmo! Punta vale sempre a pena.
Los Dedos

O que mais tem para ver e fazer: Marina e cais do porto é imperdível – muitos leões marinhos, The Wine Experience (uma degustação de queijos e vinhos ao ar livre, com opção de um lindo pôr de sol) e a Casa Pueblo – com sua arquitetura única.
O que comer e beber: estando em Punta vale a pena aproveitar para tomar vinho de uva Tannat, que é originária do sul da França, mas muito cultivada por todo o Uruguai.  O *Chivito consiste em um sanduíche de filé mignon, com mussarela, tomate, azeitonas pretas ou verdes, bacon, ovo frito e presunto. É servido em um prato grande acompanhado de batatas fritas e muitas vezes oferece a opção de acrescentar fatias de beterraba cozida, ervilhas, pimentão e pepino. É um prato típico do Uruguai. O doce de leite, dizem ser o melhor do mundo. Até o comprado no supermercado por poucos pesos é uma delícia. Não deixe de provar também os alfajores, que os uruguaios costumam se gabar dizendo que eles que passaram a receita para os argentinos! Outros doces a base de doce de leite são sempre uma boa pedida. Pode querer provar também o típico chá mate. E a imperdível parrilla: a carne uruguaia é sempre maravilhosa. Come-se bem e barato no Uruguai.

Leia mais sobre o Uruguai clicando aqui.