terça-feira, 25 de novembro de 2014

Deliciosa gastronomia em Montevideo

Arredores Mercado del Puerto

Hoje as notícias são fresquinhas. Nossa equipe recém chegou de quatro dias em Montevideo, a capital do Uruguai, e aproveita para atualizar o leitor sobre como a cidade está.

Desde nossa última visita, em 2011, percebemos que o centro ficou um pouquinho decadente. As grandes construções de rica arquitetura estão sem manutenção básica. As pinturas desbotadas, descascando, o que tirou um pouco o encanto artístico da cidade nova. A cidade velha já não anda tão segura como antes. Tipos suspeitos espreitam os turistas e houve-se falar em assaltos na região. E já não encontramos tudo tão limpo quanto nas últimas visitas.

Mas isso não é motivo para desanimar de badalar pela região da Plata. Já que a gastronomia continua rica. São tantos pratos a degustar, que quatro dias foi pouco tempo para apreciar tudo. Começando pela carne bovina, que em qualquer lugar é boa. Parte-se com garfo, come-se com batatas fritas, purê de batata, enfim, come-se muita batata por lá. O doce de leite é o carro chefe das sobremesas uruguaias. E assim vai guiando os croissants recheados com doce de leite (bizcocho de dulce de leche), os alfajores (também recheados com doce de leite), as tortas de doce de leite, sorvete com doce de leite... E tudo que couber em sua imaginação, que leve doce de leite,
Torta de Alfajor
provavelmente você encontrará! E têm as empanadas, as tortilhas, os pães, as media-lunas (croissants), os vinhos – especialmente os da uva tannat – o medio y medio, drink típico, que mistura vinho branco com pro-seco, e é servido no Mercado del Puerto... Falando em Mercado del Puerto, constatamos que as grelhas continuam invertidas, mostrando toda gama de carnes assando. Defumando o cliente que se perde no deleite dos grelhados. E os chivitos? Nunca comeu um? Tem que provar! São sanduíches com recheios diversos como alface, tomate, bacon, etc. Mas o recheio básico típico é composto por um filet macio de carne bovina e ovo cozido. Outra coisa que os uruguaios adoram são os panchos (mini hot dogs) e os seus derivados, como os Frankfurters – cachorros quentes com uma variação grande de complementos e as Húngaras, que são os cachorros quentes recheados com linguiça. Todos os sanduíches normalmente vêm
Cafés charmosos
acompanhados das inseparáveis batatas fritas e uma maionese que parece caseira. Aliás, tudo no Uruguai vem acompanhado dessa maionese: os pães das entradas, as carnes, os sanduíches, as saladas... E são gostosas, temperadinhas! Tem também o gramajo que é feito com batata frita palito servida com presunto, bacon, ovos, ervilhas, cebola... Uma loucura de paladares que engorda qualquer um só de pensar! No mais, há cafés e restaurantes muito charmosos por toda a cidade, servindo esta profusão gastronômica.

Se nos decepcionamos um pouco com a parte central da cidade, descobrimos novos ares na  capital uruguaia: o bairro de Punta Carretas está se preparando, investindo na expansão de sua rede hoteleira, para receber bem os turistas. O bairro vizinho de Pocitos segue a tendência. Ambos os bairros estão à beira rio, com extenso calçadão, ideal para a prática de esportes, como caminhadas, corridas, pedaladas, futebol e é também
Orla rio da Plata
onde os uruguaios passeiam com a família, amigos e cachorros, a noitinha e nos fins de semana. Nos dias mais quentes a região fica ainda mais animada.  É bem guarnecida de bons restaurantes, padarias e abriga o Shopping Punta Carretas - aquele que fica no prédio de um antigo presídio, e onde destacamos, entre muitas lojas bacanas e um supermercado Disco, a Cerveceria La Pasiva, com um cardápio variado contendo a maioria das guloseimas acima citadas. O rio da Plata é outra novidade: de tão largo não se vê o outro lado da margem. E as ondas quebram na praia, como se fossem mar. A única diferença são as margens do rio, que além de pequenas praias de areia, têm longos gramados e vegetação verde que se estende até a beira d’água.

No bairro de Punta Carretas
Ainda próximo ao bairro de Punta Carretas, as terças e sábados (martes y sábados) acontece uma interessante feira de roupas, artesanatos e produtos hortifruti. Dá para garimpar alguma bijou e artigos em couro. Fica em Villa Biarritz, a uma quadra da praia.

Sobre os táxis: esse é um assunto que nunca se esgota. Porque é sempre difícil pegar táxi como um turista. Montevideo não é exceção. Volta e meia seremos ludibriados por esta categoria. Uma dica: procure utilizar os táxis oficiais de Montevidéo, 141.

Ônibus é uma boa opção na cidade: se ficar em Punta Carretas, para ir até a rodoviária pegue o 121, em frente ao shopping Punta Carretas. De lá você pode fazer pequenas viagens às
La Compania del Oriente
cidades de Punta Del Leste e Colônia de Sacramento.

O aeroporto internacional de Montevideo, Carrasco, está novo, confortável e tem um bom free-shop. Um voo de Guarulhos até lá dura aproximadamente duas horas.

Algumas boas lojas: Para roupas, Daniel Cassin, Lemon (com acessórios bonitos), Lolita, Parisien, e com artigos de casa, La Compania del Oriente e Tiendas Montevidéo – todas no Shopping Punta Carretas e vários pontos da cidade.


Leia mais sobre Montevideo clicando aqui.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Roteiro de 4 dias em New York

 
Praça comunitária
Desde setembro passado, não comentei com detalhes os cinco dias que passamos em New York. Foi tempo suficiente para curtir muitas coisas, sem gastar muito, na cidade que não para nunca. Hospedagem em NYC é artigo caro. Em outro post dou detalhes sobre o roteiro completo da viagem, que incluiu cidades americanas e canadenses.
 

Dia 1 - Chegamos à cidade pela manhã, em um Domingo de Setembro. Temperatura agradável pela manhã e quente durante o dia. Sirenes de carros de polícia, carros de bombeiros e ambulâncias soando constantemente comprovavam que chegamos a New York!

Ficamos no Holiday Inn Express Manhattan West Side, em uma rua tranquila, com praças comunitárias encantadoras e a apenas duas quadras de Times Square – o coração da Big Apple. No primeiro dia, cansados do voo, aproveitamos para andar pelos arredores.
Hot dog no parque
 
Começamos pelo Hell's Kitchen Market, mercado de pulgas que funciona aos Sábados e Domingos, com grande quantidade de barracas de antiguidades, artesanatos e quinquilharias diversas. Dali, seguimos para um Dean & Deluca, para um snack no coração da cidade.

Destaco a Biblioteca Pública de NYC que fica ao lado do Bryant Park. Escolhemos o Domingo para ir lá, pois além de poder visitar a biblioteca, que conta com um acervo riquíssimo e muito bem organizado, aproveitamos a manhã no parque nos divertindo e observando os nova-iorquinos em seus hábitos de fim de semana. E, como eles, também relaxamos na praça, tomamos sorvete e comemos hot-dogs.  Aproveitando a proximidade demos uma passada no Rockfeller Center e na St. Patrick Cathedral (460 Madison Avenue), que ainda estava em obras. Andamos a toa pela 5ª Avenida e fomos bisbilhotar a Broadway. Acabamos o dia na iluminada e ofuscante Times Square.
Saguão do Metropolitan Museum
 
Dia 2 - No dia seguinte, ainda a pé, seguimos para o lado do Upper West Side, com prédios antigos, imponentes e com bonita arquitetura. Caminhamos até o History Natural Museum. Cruzamos o Central Park - lindo em qualquer época do ano - para chegar ao Metropolitan Museum. A loja do museu já vale a visita!
 
Retornamos desta vez pela área chique do Upper East Side, passando pelo Zoo do Central Park. Com reserva feita, chegamos ao restaurante Sarabeth’s (Central Park South, 40). O cardápio não é muito barato, mas optamos pelo menu prix fix
Final US Open de Tênis
lunch que funciona até às 15:30h e serve por 30USD uma entrada, um prato principal e a sobremesa. Muito bom! A comida é gostosa e o ambiente bacaninha! O ponto alto do dia foi a final da US Open de Tennis, no Arthur Ashe Stadium. Fomos até lá de metrô. Programa excelente, apesar dos nossos favoritos não terem disputado a final.
 
Dia 3 – Neste dia partimos para o passeio turista básico. Fomos visitar o memorial do World Trade Center (Torres Gêmeas) – Ground Zero, que ainda não conhecíamos. Da última vez em NYC as torres ainda estavam de pé, por isso o impacto foi grande. Curioso foi visitar a capela de St. Paul, que serviu como base para todos que trabalharam nos resgates do atentado de 11 de setembro de 2001. Ali encontramos algumas indumentárias, móveis, bilhetes e lembranças
Memorial World Trade Center
de muitos que trabalharam nos resgates e buscavam alívio e relaxamento na igreja. A área está sendo toda revitalizada. Foi inaugurado recentemente um dos novos prédios WTC. No lugar das torres construíram duas piscinas gigantescas, com cascatas contínuas, tudo em mármore preto onde estão grafados os nomes de todos que morreram no atentado. Lembra uma grande lápide.
 
Desde o memorial até a área portuária, pela Broadway, é um pulo! Em  Seaport pode-se pegar o ferry-boat ou apenas admirar a Estátua da Liberdade. A área portuária onde fica o famoso Pier 17 foi revitalizada e agora é amiga dos pedestres e ciclistas, que contam com calçadões, ciclovias e áreas de repouso,  de onde se avista a Brooklin Bridge, que liga a ilha de Manhattan ao bairro do Brooklin.
 
Para fechar o dia demos uma passada na 46th St., a famosa rua dos brasileiros, com seus bons restaurantes. Bateu saudades de um arroz com feijão!

Dia 4 – Como acordamos cedo, nossos dias rendem! Tão cedo que às vezes o comércio ainda está abrindo. Tomamos um táxi do hotel até o High Line. Encantador! Aproveitaram bem os antigos trilhos suspensos de trem transformando o lugar em áreas de lazer. Criativo! Porque não fizeram isso com a antiga perimetral do Rio
Marys Fish Camp: melhor sanduíche de lagosta
de Janeiro?


Abaixo de High Line está o Chelsea Market. Tínhamos acabado de tomar café da manhã e não pudemos aproveitar as maravilhas gastronômicas do mercado: cafés, restaurantes, bistrôs e outras lojas de alimentos e decoração.
 
Seguimos para cumprir mais um ritual gastronômico: experimentar o famoso e delicioso sanduíche Lobster Roll, que combina suculentos pedaços de lagosta do Maine cozida com maionese artesanal levinha, servida com batatas fritas crocantes. Anotem: Mary’s Fish Camp (localizado na West Street, esquina com Charles St. 64), no Soho. O sanduíche não tem preço pré-fixado. Varia de acordo com a cotação da lagosta. O lugar é simples, o sanduíche é caro. Apesar do preço é uma tentação!
 
Little Italy
Indo até Bleecker Street há lojinhas, cafés e bares descolados. Washington Square Park  é uma boa parada para descanso. O Soho está muito bacana. Tínhamos considerado nos hospedar por ali, mas baseados em experiência na cidade há algumas décadas, ficamos inseguros. Mas NYC mudou muito. Está mais segura, bem arrumada e bonita. Fomos até Chinatown fuçar as lojinhas locais. Há alguns restaurantes, mas bom mesmo para comer, logo adiante, seguindo a Broome Street, é Little Italy. A perdição dos gulosos! Massas, cafés e doces italianos. Iguarias sem fim. A preços módicos, se comparados com os praticados em New York. Come-se bem em Little Italy.
 
Dia 5 – Neste dia arrumamos nossa bagagem, saímos do hotel direto para o porto de Cape Liberty, em New Jersey, e zarpamos em um navio rumo ao Canadá.
 
O roteiro descrito acima foi minuciosamente elaborado permitindo visitar o máximo da cidade em um tempo mínimo.
 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mais um dia em Paris


Um dia em Paris, pela área ao redor dos Jardins de Luxemburgo, pode ser repleto de boas surpresas!

Mercado de Flores
Sugiro que comece a visita pelo mercado de flores, ao lado da Catedral de Notre Dame. O mercado, além de ter inúmeros espécimes de flores, tem artigos para jardinagem, decoração, perfumaria, como artesanatos e sabonetes. Em seguida, é obrigatório visitar Notre Dame, que data de 1163 e é uma das mais antigas igrejas da Europa. Levou dois séculos para ser construída. A entrada é gratuita.
Vitrais de St. Chapelle

Tudo nesta área é um primor de beleza. Basta seguir pela Rue Quai Des Orfèvres entrando em Boulevard Du Palais para chegar à Sainte Chapelle e deslumbrar-se com os vitrais da igreja. A entrada é paga, mas vale a pena!
Feirinha de guloseimas

Em seguida, atravesse a ponte em direção aos Jardins de Luxemburgo, detendo-se um pouco pela área de Boulevard Saint-Germain, no Quartier Latin, com seus inúmeros restaurantes de diversas nacionalidades. Boa comida turca, tailandesa, chinesa e oriental em geral. Antes de chegar aos Jardins de Luxemburgo, entre na rue d’École passando pela universidade de Sorbone. Dali, estique até o Phantéon. Esta área é monumental. Por onde se olha, há grandiosidade na arquitetura. No caminho até os jardins, pela
Boulevard Saint-Michel, no Quartier Latin encontramos uma feirinha de
Jardins de Luxemburgo
comidas maravilhosa, com frutas cristalizadas, macarrones caseiros, doces diversos. Não sei se acontece diariamente... Após o Phantéon, retorne rumo aos Jardins de Luxemburgo. Um bonito lugar para uma parada, para recuperar o fôlego, tomar umas taças de vinho seguidas do bom queijo francês, enquanto observa o povo local em suas tarefas cotidianas. Comemore, pois la vie est belle e você está em Paris!

Se ainda tiver forças, caminhe até Montparnasse, que fica bem
Phánteon
perto. Ali você pode subir na Tour de Montparnasse. A entrada é paga, mas tem uma vista bonita, pois do alto se avista a cidade com a Tour Eiffel.

Ao lado você tem uma loja das Galerias Lafayette – maior loja de departamentos de Paris. Fica junto ao metrô e fecha às segundas. 

Esta é uma sugestão para você passar mais um dia maravilhoso na Cidade Luz, conhecendo vários pontos interessantes!

domingo, 2 de novembro de 2014

Belezas de Cabo Frio, RJ

Há tempo desejamos postar aqui sobre Cabo Frio, mas como nossas visitas a cidade são sempre rápidas, pedimos a Vitória Paiva, formanda em jornalismo, que descrevesse para esta coluna impressões baseadas em suas inúmeras férias nesta deliciosa praia. 

“Dotada de belezas mil, escondida vives num recanto”

Vitoria frequenta Cabo Frio desde a infância

Quem conhece Cabo Frio não tem vontade de sair. A cidade, localizada na Região dos Lagos e cerca de 02h30min da capital, tem praias maravilhosas e um clima muito acolhedor. Se você ainda não escolheu onde passar o ano novo, Cabo Frio é uma excelente opção. Mas corra! Nesta época os hotéis, pousadas e casas já estão lotados – principalmente pelos mineiros e fluminenses. Portanto, não se assuste se encontrar muito conhecido lá ou se ouvir muito “uai sô”.

Para mim a Praia do Forte é a melhor: movimentada, com vários lugares ao redor para comer e comprar, além de contar com a vista do maravilhoso Forte de São Mateus e a irresistível e famosa Feirinha, onde encontramos lembrancinhas, artesanatos e roupas.


Praia do Forte

Praia do Forte

A Praia do Forte é um dos pontos mais requisitados pelos turistas. Com 7,5 quilômetros de extensão, as águas transparentes e cristalinas da praia se unem à areia branca e fina formando o maravilhoso visual do mar. Conta com uma proximidade de restaurantes, lojas, sorveterias com um vasto buffet a quilo e playgrounds para as crianças.

Onde comer: Chez Michou (creperia famosa da cidade vizinha, Búzios), Vira Verão (restaurante), Bob’s, Big Pizzas, Subway, Comilão (fast food). Na avenida da praia, você encontrará diversos restaurantes, que servem almoço e jantar. Além de bares, como Imperador e Koala.


Forte São Mateus


O Forte, construído em 1618, é um patrimônio histórico nacional e ajuda a Praia do Forte a manter um dos mais belos cartões postais da cidade, bem como do país. Atualmente apresenta cinco compartimentos: casa do comando, quartel da tropa, cozinha, casa da pólvora e cela. Conta também com duas baterias à barbeta, uma guarita e edificação para o quartel. De lá, observa-se toda a beleza da praia que o cerca. É aberto ao público e a entrada é gratuita. Não saia de lá sem visitar e registrar este momento com fotos! O visual é lindo. Vale a pena!


Noite


Não só para quem é adepto da noitada, mas também para aqueles que gostam de um passeio básico num final de tarde e início de noite, o Boulevart Canal é uma ótima dica. O Canal (como é conhecido) é destaque por conta de sua grande concentração de restaurantes, bares, boates e embarque e desembarque para passeios de barco na cidade (há alguns que servem jantares à noite).
Quem optar por um jantar, é preciso chegar cedo. As filas de espera ficam bem grandes. Alguns restaurantes referências são Tia Maluca, com frutos do mar e picanha na pedra, além de outras opções; Restaurante do Zé, famoso por sua picanha e Picolino, da chef Denise Linhares.


Shopping da Gamboa – Rua dos biquínis


Mulheres e fãs de compras: se preparem. A Rua dos biquínis é um ponto em que o nosso dinheiro “voa”. É praticamente impossível visitar Cabo Frio e não ir a este lugar. Mas vai uma dica: reserve uma tarde para este passeio. A rua única, com mais de 100 lojas de biquínis e roupas de ginástica, é conhecida internacionalmente como a maior rede de moda praia da América Latina.
Como chegar: para quem quer dar um passeio, é bom ir pé. O lugar é mais afastado e fica depois da ponte Feliciano Sodré, próximo ao Boulevart Canal. Também há opção de pegar barca, que sai também do Canal.  O horário de funcionamento é a partir das 9h e em alta temporada as lojas fecham até depois de 00h.


Ano Novo


“Cabo Frio tem réveillon inesquecível”: esta foi uma das principais manchetes de jornais no final do ano na Região dos Lagos. Apesar da grande concentração de turistas, vale a pena a experiência de virada de ano nesse paraíso. Atualmente, a prefeitura tem disponibilizado uma série de dez shows para celebrar as férias e o novo ano. É show um por dia, que ocorre geralmente de 26/12 até 05/01 na Praia do Forte. Com uma queima de fogos maravilhosa, que dura cerca de 15 minutos, Cabo Frio e seus turistas recebem a alegria do novo ano. É emocionante!
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Não é só desses pontos citados que vive Cabo Frio, que também é bem conhecida pela Praia do Peró, Praia Brava, Praia das Conchas, Praia das Dunas, Praia do Foguete e Ilha do Japonês.

O bom de passar as férias nesse lugar é que você poderá conhecer as cidades vizinhas, como Búzios (Rua das Pedras como referência), Arraial do Cabo (passeios de barcos pelas praias que se assemelham às caribenhas) e Rio das Ostras (Praça da Baleia).

Visitar Cabo Frio, bem como a Região dos Lagos, vale muito a pena. Quem vai pela primeira vez, cria facilmente o hábito de ir todo ano. Não é a toa que eu amo essa cidade e rezo para o final de ano chegar, concorda?

sábado, 1 de novembro de 2014

Mania de Viajar

Por: Ana Cristina Reis
Fonte: O Globo - Caderno Ela, 1/11/14
As fotos que compõem esta publicação são de propriedade deste blog.
 
Halifax, Canadá
"Boa romaria faz quem em casa fica em paz" era um ditado que a família dizia e não cumpria. Viajávamos duas horas, ouvindo ópera - para prazer do meu pai e desespero de minhas irmãs -, porque alguém falara de um restaurante que tinha um coelho dos deuses. A jornada de duas horas e meia costumava ser para visitar os amigos  Maísa e Roberto Salgado ou Candinha e Guilherme da Silveira nos fins de semana.
 
Três horas? Para chegar ao Rio, antes da nova BR-040.Vó Sarita, preocupadíssima que as netas, morando no mato, virassem umas selvagens, marcava balés, teatros, concertos, ópera (sim, minhas irmãs tiveram que assistir a "Aída", com direito a elefante no palco) e restaurantes. Mamãe, sempre generosa, nos levava para patinar no gelo na Lagoa. Sou do tempo do Tivoli Park!

Ushuaia, Argentina
Duas vezes, meus pais trocaram as férias no Rio por outras aventuras. A primeira, na Disney. Fofa, minha irmã caçula, 5 anos na época, lágrimas nos olhos, puxou a manga do meu moleton:"Olha, é o Mickey. Sei que é de mentirinha, mas é o Mickey". A segunda, no Pantanal. Café da manhã com carne-seca e farofa, tardes pescando (um marasmo que cumpríamos com galhardia), noites de olho em jacarés.
 
Na adolescência, podíamos das palpites - eu pedi para conhecer a Academia Militar das Agulhas Negras (queria saber qual a sensação de ver tanto homem junto). Em seguida, Alfredo e Rosa ligaram da Califórnia, onde estavam com a filha de 2 anos: "Por que vocês não mandam a Ana Cristina para cá para fazer um curso de inglês?". Meus pais concordaram, sem imaginar que dois meses depois haveria outro
Central Park, New York
telefonema. "Ana Cristina pode ir viajar com a gente?". Meus pais aprovaram antes de perguntar qual seria o roteiro. Foi por isso que aos 14 anos conheci: Japão, Cingapura, Tailândia, Hong Kong e Macau.
 
A partir de então, faço de tudo para viajar durante as férias. "De novo?!" é sempre a reação da Fofa, nos últimos 30 anos, para as minhas andanças. Meu pai, aquele mesmo que dirigia duas horas para comer, reclama da frequência com que viajo, argumentando:
- Viajar é coisa de maluco, prevista pela Ciência. Se o sujeito é rico, vira turista e acumula milhagem. Se o sujeito é pobre, vira andarilho de beira de estrada.
 
Estocolmo, Suécia
Apesar da crítica familiar, tudo ia bem até eu descobrir que existe palavra para descrever um impulso anormal de viajar: dromomania. Mania de andar, de fugir; automatismo ambulatório. Do grego drómos: corrida, lugar para correr. Sinônimo de neurose errante, é um termo que foi usado frequentemente pelo médico Magnus Hirschfeld para designar o desejo de escapar de... uma situação sexual desagradável! Essa obsessão que as pessoas têm por sexo...
 
Para Jung, gostar de viajar é indicação de uma insatisfação que leva à busca e à descoberta  de novos horizontes. Seria a procura pela... mãe perdida. Mas existem os que se contrapõem a esta ideia - o gosto por viajar significaria uma fuga da mãe. Mamãe: I love you!
 
Madri, Espanha
Conjectura por conjectura, queria saber o que os doutores Jung e Freud diriam de um poema de Baudelaire: "Aqueles cujos desejos têm a forma de nuvens/ E que sonham, como o recruta  com o canhão,/ com vastas volúpias, mutantes, desconhecidas,, / Das quais o espírito humano jamais soube o nome./ Amargo saber o que nos dá a viagem!/ O mundo, hoje monótono e pequeno / Ontem, amanhã, sempre, nos faz ver a nossa imagem / Um oásis de horror num deserto de tédio!".
 
E foi antes da internet.
 
Por que estou falando disso? Porque viajo de férias em breve. Meu primeiro cruzeiro. O material explicativo dos sete dias de navio tem 40 páginas. Me aguardem.