quinta-feira, 12 de março de 2015

Roteiro em Porto Alegre: hop-on, hop-off

Parque Moinhos de Vento
Não dá para conhecer todos os lugares que gostaríamos e do modo que gostaríamos: detalhadamente, com tempo para absorver o local e sua cultura. Mas não devemos perder a oportunidade das visitas, por mais breve que sejam. Passamos um dia e uma noite em Porto Alegre, vindos da Serra Gaúcha, onde tínhamos passado as férias em outubro de 2013. Hospedamo-nos pelos arredores do Parque Moinhos de Vento. Um bairro residencial agradável, com muitos restaurantes, comércio e o Shopping Total, pequenino, aconchegante e com cinema.

Como não tínhamos muito tempo para vasculhar a cidade, optamos pela Linha de Turismo, estilo hop-on-hop-off. Trata-se de um ônibus de dois andares, com “terraço” para apreciar a cidade, que percorre a maioria dos pontos turísticos de Porto Alegre. Se paga um único ingresso com
Arquitetura: riqueza de detalhes
direito a entrar e sair do ônibus, em todas suas paradas, durante todo o percurso. Com horários de hora em hora, o ônibus começa a funcionar a partir das 9h. O preço do ingresso na época foi de R$18,00 por pessoa. O itinerário conta com cinco paradas passando por Parque Farroupilha (ponto desembarque), Parque Moinho de Ventos (Parcão – ponto de desembarque), Antiga Cervejaria Bopp (Brahma), Praça da Matriz, Mercado Público Central (ponto de desembarque), Cais do Porto, Praça da Alfândega, Usina do Gasômetro, Anfiteatro Pôr-do-Sol, Estádio Gigante da Beira-Rio, Fundação Iberê Camargo (ponto de desembarque) e Estádio Olímpico Monumental.
Mercado Público: produtos frescos

Pegamos o ônibus no Parque Moinhos de Vento e até nossa primeira parada no Mercado Público, que fica no centro da cidade, pudemos conhecer um pouco da história e arquitetura da cidade, através da explicação da guia, sobre cada ponto histórico. Porto Alegre é uma cidade organizada, bem arborizada, florida na primavera e conta com muitas ciclovias, um incentivo ao ciclismo. Os prédios têm uma arquitetura rica. Pena que não tivemos tempo para percorrer todos os caminhos a pé, quando poderíamos entrar em cada igreja e apreciar cada monumento.

Descemos em frente ao Mercado Público e pudemos bisbilhotar as lojinhas típicas com seus peixes, temperos, bebidas, doces e especiarias diversas. O mercado tem 140 anos e já sofreu inúmeros incêndios. Ao redor do mercado diversos prédios históricos também convidam à visita.
Centro da cidade

Tomamos novamente o ônibus e passamos pela Usina do Gasômetro e o famoso estádio Beira-Rio. Aproveitamos a proximidade de nossa próxima parada do ônibus, na Fundação Iberê Camargo, e fizemos uma caminhada até a famosa churrascaria Montana Grill. Porto Alegre é conhecida pelo bom churrasco. Por isso não é difícil encontrar boas churrascarias na cidade. A Montana Grill fica às margens do lago Guaíba e a poucos metros do estádio Beira Rio. Tem um variado buffet para todos os gostos e uma boa seleção de carnes deliciosas. Ouvimos falar que atualmente o restaurante se chama NB Steak e a qualidade, portanto, fica a desejar se comparada a antiga Montana. Só conferindo novamente para comprovar!

Depois de um excelente almoço, seguimos no próximo ônibus, desta vez passando pelo Estádio Olímpico Monumental. Descemos no Parque Farroupilha (Redenção) por onde decidimos prosseguir a pé de volta ao hotel. Choveu muito nesta tarde e não pudemos percorrer o parque como gostaríamos. Um bom motivo para voltar a Porto Alegre e esmiuçar as riquezas que a cidade tem a oferecer.

terça-feira, 10 de março de 2015

Percorrendo Boston a pé

Freedom Trail - Boston, Massachussets

Centro histórico
Não resta dúvida de que um país composto por cinquenta estados deve oferecer alguns bons lugares para se conhecer. Principalmente se este país tem um largo território e é banhado por dois oceanos, como os Estados Unidos. Mas não foi difícil optar por ressaltar as qualidades de uma cidade como Boston, que oferece ao mesmo tempo história, belezas naturais e arquitetônicas e muita cultura, para seus visitantes.

É uma cidade feita para o pedestre, facilitando e estimulando a caminhada. Prova disto é a  Freedom Trail, uma trilha marcada por tijolos vermelhos na calçada, que permite ao visitante conhecer o melhor de Boston. As mais importantes atrações da cidade ficam neste caminho. Não é uma rota difícil, com aproximados quatro quilômetros e meio de extensão, que podem ser facilmente percorridos a pé, em apenas um dia. Pelo
Prédios bonitos
caminho há cafeterias e restaurantes que permitem um café, água, snacks, refeições, toaletes e paradas de descanso para apreciar os pontos históricos. O visitante nem percebe a distância percorrida!

Iniciar a trilha a partir de USS Constitution é uma boa sugestão. Trata-se de um museu interativo referente ao navio de guerra mais antigo do mundo e aberto a visitação. O museu fica em uma marina, onde está aportado o navio. Mas se você não quiser andar muito, pode iniciar a trilha na altura de Copps Hill Burying Ground, o que vai diminuir bastante a distância a ser percorrida, perdendo apenas a visita de USS Constituition e Bunker Hill. Para os interessados em cemitérios, este é um prato cheio. Lá foram enterradas personalidades como Gilbert Stuart, pintor do retrato de George Washington, que aparece na nota de um dólar. Também encontram-se enterrados ali muitos homens (Redcoats) que morreram na batalha do cerco da cidade de Boston.
Arredores do Quincy Market

Passando adiante, Boston é uma cidade cheia de vida! Seguindo Freedom Trail o visitante encontrará aproximadamente dezesseis monumentos históricos, marcados com uma placa de bronze explicando a história daquela atração. Mas o melhor de tudo é a arquitetura da cidade, com prédios charmosos em tijolos vermelhos, em meio a uma profusão de restaurantes, cafés, pubs, bares, praças, com eventuais monumentos de beleza fenomenal. É tudo bem cuidado, limpo, florido e organizado nos mínimos detalhes.

Os pontos altos da trilha contam com o imperdível Quincy Market, estabelecido no interior de um prédio em arquitetura greco-romana, composto por uma variedade de lojinhas gastronômicas com especialidades desde cachorros quentes, cookies, salgados, pizzas,  brownies, até sanduíches fantásticos, lagostas frescas, sucos de frutas feitos na hora, comida italiana, chinesa, árabe, doces diversos, camarões gigantes, etc, etc, etc.
Quincy Market: especialidades gastronômicas

No meio do caminho não se assuste em deparar com uma enorme quantidade de belas igrejas e suas torres, espalhadas pela cidade. Curiosamente, muitas delas são católicas.

Fazendo a trilha no sentido aqui indicado, chega-se a Boston Common, que é um parque com um agradável e bonito paisagismo, datado de 1634. O parque mais antigo dos Estados Unidos. Os arredores do lago proporcionam a necessária tranquilidade ao final de uma excitante caminhada pela cidade. O Boston Commom atrai todo ano centenas de milhares de turistas e famosos e é lá também que acontecem os protestos, as reuniões e visitas importantes da cidade.
Boston Common: tranquilidade
Energias repostas, siga um pouco adiante até o Public Garden, que fica logo ao lado do Common. Apesar de ser um pouco mais novo que o Boston Common, este é o primeiro Jardim Botânico dos Estados Unidos. Seu paisagismo evoca uma herança Vitoriana e vale a pena ser conhecido. As espécimes de flores são organizadas em uma perfeita simetria de cores e aromas. Toda a região é linda e complementada pela Commonwealth Avenue Mall, que lembra um túnel coberto pela copa das árvores. Esta avenida é um projeto de Arthur Gilman, inspirado nos boulevards parisienses. Chamada por Winston Churchill de “o grandioso boulevard Norte-Americano”, data de 1858.

Boston é uma cidade estabelecida com beleza e bom gosto. Por todos os lados que se passa é impossível não manter a cabeça erguida para admirá-la. Por isso, em sua próxima visita a famosa cidade de Nova York, programe uma esticada a vizinha cidade de Boston, no estado de Massachussets. Você não se arrependerá!

Nota: no meio de tanta gastronomia, vale destacar que a comida típica de Boston é a sopa de mariscos.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Em L.A. vá de bike!

Venice Beach: quilômetros de bikelane
Percorrendo Los Angeles de carro percebe-se como suas ruas são longas. Quilométricas na verdade! Cortando a cidade de Norte a Sul e de Leste a Oeste, levando seus transeuntes da praia aos bairros do interior, uma única rua percorrida atravessa grandes extensões. Este fato cria uma consequência interessante no transporte de ônibus: é comum para chegar a um destino pegar primeiro um ônibus com deslocamento Leste-Oeste (exemplo) – que seguirá infinitamente por uma única rua, para na altura do seu destino, pegar uma conexão com destino Norte-Sul – seguindo novamente por outra única rua. Mas hoje em dia, com o elevado número de Free-Ways em Los Angeles, os deslocamentos pela cidade ficaram mais facilitados, quando utilizando transporte de superfície.
A cidade é cortada por muitas bikelanes
O que veio facilitar de verdade o deslocamento público na cidade foi a recente construção do  Metrô. Contando hoje com oito linhas e mais cinco em construção, o metrô de Los Angeles consegue ligar grande parte de L.A. à Downtown, o centro da cidade. Para uma cidade nas proporções de Los Angeles, o metrô é uma grande solução.

O uso de bicicletas cresceu devido a existência de muitas bikelanes (ou bike paths – as ciclovias) que continuam aumentando de forma positiva. O incentivo ao ciclismo em Los Angeles começa a ultrapassar os limites urbanos, com as bikelanes estendendo-se para distritos vizinhos à grande L.A., como Pasadena, Pearblosson, Lake Los Angeles, São Fernando e muitos outros locais. A malha de ciclovias já conta com centenas de quilômetros. Pedalar pela cidade é um grande barato!

As ruas dos bairros perto das praias são sempre mais frescas e agradáveis e abrigam inúmeros espécimes de aves aquáticas como atobás, gaivotas, pelicanos, entre outras.

Apesar de a cidade ficar localizada em uma região desértica, conta com muitas áreas verdes, praças públicas e boa arborização. Os esquilos são moradores da cidade, convivendo em paz pelas árvores e fazendo das fiações públicas suas free-ways.  Tudo isso torna a cidade muito agradável para passeios a pé e de bicicleta.

domingo, 1 de março de 2015

Birdwatching no Equador - roteiro completo

Por: Lúcia Rogers


Galo da Rocha: ave símbolo do Equador
A viagem foi MA-RA-VI-LHO-SA!!!
Viajamos do Rio de Janeiro para Quito, que é bem charmosa, principalmente a parte antiga. Um pouco alta para meu gosto, mas, depois de algumas xícaras de chá de coca, deu para encarar o cansaço, desde que procurasse caminhar sem correrias. Ficamos no Hotel Fuente de Piedras 2, no bairro turístico de la Mariscal. O pessoal da recepção era muito amável, mas as instalações fraquinhas:  alguns quartos sem janelas e um pouco de cheiro de mofo.  As frutas no café da manhã eram cobradas a parte. O hotel ficava muito perto da Praça Foch, que é bem badalada. Os arredores do hotel, à noite, dão um pouco de receio, já que tem alguns inferninhos pelas redondezas.


Na metade do mundo

No segundo dia resolvemos visitar o Vulcão Pululahua. Para mim, foi meio decepcionante: um buracão, cheio de construções e plantações. Depois fomos à "metade do Mundo". Onde passa a Linha do Equador. Há um Museu sobre os primitivos habitantes da região e lá se participa ainda de algumas experiências relacionadas ao efeito de Coriolis, como a água que escoa em diferentes direções, dependendo do hemisfério, e, cai direto na linha do Equador. Várias pessoas conseguiam botar um ovo em pé sobre uma cabeça de prego (não entendi direito porque isso é possível ali). Vou pesquisar, ainda sobre isso. Nós não conseguimos botar o tal ovo em pé! Mas, caminhamos emocionados sobre a linha do Equador e fizemos fotos com um pé no hemisfério Norte e o outro no Sul. Coisas de turistas! Alessandro e Isabel ainda visitaram o bairro La Ronda e uma Igreja fundada pelos jesuítas no século XVII, segundo eles, uma maravilha, toda em ouro.
Veadinhos
No terceiro dia, fomos conhecer o Vulcão Cotopaxi. Já a viagem para lá vale a pena! Vimos algumas aves e um veadinho lindo, com a mãe. O Vulcão tem um visual de tirar o fôlego. Todo escuro, coroado de neve que desce também pelas encostas. Fomos  de táxi, é claro, e depois pegamos o quatro rodas do parque, até alcançarmos a altitude de 4.500 metros. Alessandro resolveu encarar mais uma parte da subida a pé, com o guia. Nós ficamos no carro, morrendo de frio e de vontade de fazer xixi. Depois de umas três horas, Alessandro surgiu descendo a encosta, parecendo um avestruz em dança de acasalamento. Todo descoordenado, parecia bêbado. Na hora ficamos apavoradas, mas, depois, o episódio nos rendeu boas gargalhadas durante toda a viagem.
Diglossa Cyanea: refrescando-se em um "frio de pinguim"
No quarto dia o nosso guia Olger (EXCELENTE) e o motorista  Teófilo nos apanharam no hotel, às 6h30min, numa grande e confortável Van e fomos para Yanacocha, a 3.700m de altitude. Vimos muitos beija-flores (entre eles o famoso bico de espada) e aves lindas, muito coloridas. Lanchamos pelo caminho e fomos para a Pousada Alambi: comedouro e bebedouros para milhares de beija-flores. As refeições foram servidas na varanda. A gente não sabia nem o que estava comendo, porque a atenção era toda para as aves. Acho que a comida era gostosa. Rsrsrs. São só três quartos nessa Pousada. Um grande, com banheiro, e dois menores, com banheiro no corredor. Nos menores, o cheirinho de mofo é inevitável! Muita umidade!
No quinto dia, muitas caminhadas, muitas aves (tucanos, araçaris, surucuás, endemismos) e muuuuitos beija-flores (um com umas raquetinhas no rabo, um sonho)!
70 anos: melhor aniversário da vida
No sexto dia,  saímos às 5h, ainda escuro e com muita chuva. Pegamos uma trilha no meio do mato para ir ao local onde se reúnem, em arena, bem cedo, os galos-da-rocha. Lindos e ariscos! Parados, imóveis debaixo de chuva, aguardamos a chegada deles. Um espetáculo! Mas, rápido, chegam, dão seu showzinho e se vão. Fomos, depois, à Reserva  Particular Paz de las Aves. O dono mantém um bom relacionamento com algumas gralárias. Chega à beirada da mata e começa a chamá-las. Depois de algum tempo, elas aparecem, pegam as minhocas que ele joga, e somem novamente. Mas dá para vê-las bem. Outras vêm atrás da banana que ele coloca na boca do mato. Também aparecem muito rápido e somem. Mas é um espetáculo! Nesse dia, com tantos presentes maravilhosos, e em meio a um enxame de beija-flores, na Alambi,"cravei" os meus 70 anos, com direito a bolo e parabéns, surpresa que me prepararam os amigos Isabel, Claudia e Alessandro. Um dos melhores aniversários de minha vida!
Depois, partimos para San Miguel de los Bancos e nos instalamos no Hotel Mirador Rio Blanco, que tem uma vista espetacular para o rio em meio às montanhas. Mais uma vez, eu e Alessandro pegamos um apartamento com dois quartinhos pequenos, um  deles insuportavelmente mofado. Tive que me mudar para o apartamento das meninas que tinha três quartos. Mas um banheiro só, para três mulheres. Já viu! Tive que ficar usando o banheiro do apartamento de Alessandro. Mas deu tudo certo. E a comida desse hotel é gostosíssima!
Eubucco Bourcierii
Daí fomos à  Reserva Milpe, onde, entre tucanos, e mais beija-flores, vi a avezinha que mais me encantou, um Saltarin Alitorcido (Machaeropterus deliciosus). Do tamanhinho, mais ou menos, de uma rendeira, castanho avermelhado, com riscos brancos nas asas, que "canta com as penas". Abaixa as asas, levanda a bundinha e solta um assovio. Dançou para nós um bom tempo. Quando ele se foi, eu só queria ver mais e mais. Voltamos na mesma Reserva, no dia seguinte, mas não o vimos mais.
Fomos também à Reserva Santuário das Aves Rio Silanche, onde há uma torre de observação onde dá para ver ainda muitas espécies.
No dia seguinte, voltamos ao Aeroporto de Quito. Estrada linda, (ainda se vê, ao  longe, vários Vulcões) mas estrada perigosa, com muitas curvas e motoristas imprudentes. No Aeroporto, pegamos um voo de meia hora para Coca, para irmos para a Amazônia. Chegamos num calor infernal  e Coca lembra um suburbão da pesada,  do Rio.

De voadeira  mata adentro
Daí, fomos até o cais e pegamos uma "voadeira"(duas horas e meio pelo rio Napo) até o píer do Sani Lodge. Descemos e caminhamos por uma passarela de madeira, em meio à mata, por mais ou menos quinze minutos, morrendo de calor e já devidamente besuntados por repelente até a alma, pois a mosquitada estava feroz.



Chegando de canoa ao Sani Lodge
Chegamos a um novo píer e então embarcamos numa canoa a remo,  mais uns quinze minutos e chegamos ao Sani Lodge. 

Recepcionados pelo Vitor, o gerente do Lodge, e uma bandeja com belisquetes, um coquetel de maracujá e toalhinhas úmidas para que nos refrescássemos. Ah! Também o Guilhermo veio nos recepcionar (um jacamim que mora no Lodge, manso como um cachorrinho e louco por um cafuné). O Lodge pertece a uma tribo da região, que permitiu a exploração de Petróleo em parte de suas terras, em troca da construção e preparação do pessoal para administrá-lo: cursos de hotelaria, cozinha, inglês e etc. Só os índios dessa tribo trabalham lá. Finíssimos, educadíssimos, todos falam inglês. Todas as edificações são em forma de ocas, tetos trançados de palha e bambu,
Guilhermo: manso como um cachorrinho
chão de madeira. Todos os quartos muito confortáveis, mosquiteiros nas camas e com ótimos banheiros. Há que se tomar cuidado com a banheira, que fica sob o chuveiro, pois escorrega e Alessandro por pouco não se machuca. Só um quarto deve ser evitado, o que, por azar, Alessandro e eu pegamos na primeira noite: o que fica perto da cozinha. Às três horas da manhã eles começam a preparar o desjejum, e aí, adeus sossego. É uma barulheira infernal. Mas no dia seguinte nos mudaram de quarto. Comida muito boa, restaurante fino, luz de velas, garçons (índios) atenciosíssimos. Luz: tem horário. Não me lembro durante o dia qual era, mas, à noite, apagava a meia-noite e só voltava às cinco horas da manhã.
Nesse paraíso, fizemos vários passeios de canoa e nas trilhas por meio da mata. Subimos numa torre com quarenta e cinco metros de altura e duzentos e dois degraus. Mas valeu o esforço! De saída, lá em cima, numa árvore bem perto, dormia um mãe-da-lua gigante. Sem falar nos tucanos, papagaios, araras e etc,  etc e etc. 

Guloseimas na folha de bananeira
Num dos dias fomos visitar a tribo. Almoço típico: no chão, sobre folha de bananeira. Guloseimas: peixe com palmito assado na folha de bananeira, aipim, banana assada, sementes de cacau no espeto e... a larva de um besouro de palmeira, também no espeto. Ou, como vimos a índia que nos serviu comendo, a larva viva, crua. O Alessandro quis provar e se deliciou. Diz ele que era muito boa. Eu não quis nem olhar muito! Bebemos (ou provamos) chicha, bebida à base de mandioca fermentada, com batata-doce. Para encerrar com chave de ouro, no último dia, vimos a Harpia (meu grande sonho de consumo), bem perto. Podia querer mais?
Índia comendo larva viva

Foram mais de trezentas aves! Muitos lifers! Quase quatro mil fotos. Estou aqui, perdida no meio delas, tentando colocar o nome correto em cada uma. Até agora, publiquei no Wiki Aves a foto de uma cigana que me deixou bem feliz.
Na volta, no Aeroporto em Quito, malas já despachadas, ouvimos nossos nomes chamados pelo alto-falante: Alessandro, Claudia e eu convocados para vistoria de bagagem. Fomos levados, um funcionário à frente, abrindo as portas com cartões magnéticos e outro na retaguarda, para "os porões" do Aeroporto. Ao fundo, uma cacofonia de latidos. Devia haver uma matilha de cães por lá. Abriram mala por mala e revistaram tudo. Será que temos cara de
traficantes ou os cães se mostraram excitadíssimos quando se depararam com a "catinga braba" que se exalava de nossas malas entulhadas de roupa suja, depois de onze dias de viagem? Sei lá! Isabel, que não foi chamada, ficou lá em cima, com nossa bagagem de mão e nervosíssima, pois demoramos a voltar. Mas no fim, entre mortos e feridos, salvaram-se todos e acabamos dando boas risadas com o acontecido.
Bem, amigo leitor, vou parando por aqui pois você já deve estar exausto com tanta escrevinhação! Fui capaz de me lembrar de tantos detalhes porque, durante toda a viagem fomos escrevendo uma espécie de diário a quatro mãos, e a Isabel passou a limpo e mandou uma cópia para cada um de nós.
 Se tiver oportunidade, não deixe de ir conhecer o Equador. Vale a pena. Fomos através da JUNGLE BIRDERS   TOURS, seguindo as dicas de uma amiga. Se precisar de mais alguma dica, é só deixar no espaço para comentários deste post, que responderemos.

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