domingo, 29 de novembro de 2015

Dá para fazer aventura aos 75 anos? Confira esta incrível viagem para Fernando de Noronha, Brasil

Dizem que o turismo é uma cachaça. Quando trabalhava na área, era o que mais escutava dos colegas. Mas se você já tem esse traço no DNA, a coisa fica ainda mais séria. E tenho a quem puxar. A minha mãe, segundo diz minha prima, já nasceu com rodinhas. Devido a minha insistência, ela aceitou enviar um relato de sua última aventura. Espero que ela continue nos contemplando com suas histórias e acho que vocês vão gostar de conhecer a bela ilha de Noronha, através do olhar de Ignez Aguiar Ribeiro, a aventureira da vez. ( Adriana Aguiar Ribeiro )

Roteiro de cinco dias em Fernando de Noronha


Por: Ignez Aguiar Ribeiro
Fotos: cedidas por Wanda, companheira nesta viagem
Sempre tive vontade de conhecer Fernando de Noronha, mas me faltava oportunidade. Então uma amiga me convidou. Pensei: Agora, com quase 76 anos seria viável? Como sou meio aventureira resolvi aceitar. E fiz bem! Um passeio realmente maravilhoso!
Programamos passar cinco dias na ilha. Fomos pela Gol, em um voo até recife. De lá pegamos um avião um pouco menor (da Gol também) até a ilha.
Do alto me pareceu pequena mas, na realidade, Fernando de Noronha tem uma extensão de 26 km2 (vinte e seis quilômetros quadrados. De origem vulcânica, a ilha brota do oceano atlântico, com regiões de rochas negras, mas formando também praias de águas cristalinas e beleza incalculável.
Chegando a ilha, após pagarmos, ainda no aeroporto, a taxa de permanência no valor de R$51,00 por cada dia que passamos, fomos para a pousada do Bita, já reservada por telefone. A pousada é simples, mas acolhedora, limpa e com um honesto café da manhã. De modo geral as pousadas são deste nível, como pude observar depois.
Logo na chegada agendamos dois passeios que consideramos interessantes para se ter um ideia geral de tudo: o Ilha Tour e o Passeio de Escuna, a  Trovão dos Mares.
Pelo Ilha Tour pagamos R$110,00 por pessoa e percorremos praias belíssimas numa espécie de caminhonete fechada atrás. Visitamos a praia do Sancho e a Cacimba do Padre. São praias mais tranquilas do mar de dentro, como chamam o lado da ilha voltado para o continente. A cor do mar é de uma tonalidade que realmente nunca vi. Um azul meio turquesa, meio esmeralda, meio céu. Indescritível! Dali se avista também o Morro Dois Irmãos, que são duas ilhas pequenas, próximas e semelhantes, de formação rochosa. O por do sol por trás destas ilhas, desenhando suas silhuetas, é uma explosão de fogo e de cores.
Continuando o passeio visitamos muitas outras praias, agora já no mar de fora, voltado para a África. As praias tem nomes estranhos como a do Buraco da Rachel, do Leão, do Sancho, do Boldro, da Conceição do Cachorro, sempre se referindo a alguma peculiaridade local. Em uma das praias comemos, numa barraca, um delicioso peixe na folha de bananeira. Come-se muito peixe em Noronha. Fresco e pescado lá mesmo.
O outro passeio, o de escuna custou R$190,00 e foi emocionante. Pude nadar em águas mais profundas, perto da escuna. Vi tartarugas, arraias, peixes enormes, lindos e coloridos. Os golfinhos se exibem pulando e fazendo cabriolas. Chorei de emoção! Agradeci por ter a oportunidade de ver uma coisa tão linda. Almoçamos a bordo, uma comida gostosa, sempre à base de peixe. Voltamos à tardinha para o hotel.

Gosto muito, quando viajo, de conversar com a população local, além de observar o estilo de vida deles.

Fiquei sabendo que na ilha não há desemprego, analfabetismo ou miséria (não há mendigos). A escola, que vai do pré ao Ensino Básico, é considerada muito boa e, se necessário, prepara os jovens que querem fazer um curso técnico ou faculdade no continente. O hospital é bem estruturado, mas os exames mais sofisticados, quando necessário, são feitos no continente. O paciente vai de avião ou helicóptero, conforme a  emergência. Lembrei-me um pouco de Cuba, onde passei 10 dias há tempos atrás. Porém com a diferença que Fernando de Noronha é Brasil, com toda a liberdade de que desfrutamos.
A noção de proteção ao meio ambiente é muito forte entre os moradores. Vi um deles pegar um palito de fósforo, que um turista atirou ao chão, e colocar na lixeira. Há muitas espalhadas por todo lado, bem como mensagens carinhosas sobre o assunto.
A água da ilha é dessalinizada. Não há fonte de água doce. Visitei a estação, vi as bombas enormes o os toneis onde se realiza o processo. Informaram-me que é muito caro. Percebi que todos respeitam e economizam a água incentivando os turistas a fazerem o mesmo.
O governo da ilha fica a cargo de um administrador indicado pelo Governador de Pernambuco, mas os moradores elegem oito conselheiros. Há muito engajamento da população na política local. Os conselheiros são ativos, se interessam, sabem dos problemas e lutam para solucioná-los pressionando o administrador. À noite, às 20 horas, eu sempre comparecia às palestras (diárias) do projeto Tamar. Este é muito bem estruturado com museu, salão de conferência e lojinha, cuja renda reverte para a manutenção do mesmo. Numa das palestras fui convidada para assistir a soltura de tartarugas filhotes no dia seguinte, mas não tive oportunidade de ir.
Minha amiga, à noite, ia para os "sambas" nos diversos bares da região e voltava tarde contando da animação dos mesmos. Não sou muito destes “agitos” e ficava mesmo no Tamar.
A segurança na ilha é total e podíamos circular até altas horas sem perigo. No último dia fui sozinha à praia do Boldró. O ônibus que percorre toda a ilha nos leva até próximo à praia. Depois temos que fazer  um trajeto a pé por um caminho meio acidentado. Consegui chegar bem. Valeu a pena! Acho que foi a praia mais linda de todas. As tartarugas, as arraias e os peixes nadavam tranquilos ao meu lado enquanto eu me banhava nas águas cristalinas. Ali tomei uma água de coco geladinha e retornei a  pousada  para os preparativos da volta.
Não vou esquecer nunca esta experiência e agradeço por ter conseguido participar e curtir tudo -  mesmo com a idade que tenho. Minha amiga, bem mais jovem (quase quinze anos menos que eu ) também adorou e também a ela agradeci a oportunidade que me proporcionou.
Se você tiver alguma dúvida ou comentário sobre este relato, pode deixar aqui no blog, que eu serei contatada e terei o maior prazer em responder.

2 comentários:

  1. Beleza de viagem! É Ignez, você com essas "rodinhas nos pés" dá de goleada em muitos jovens.

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    1. É verdade, Lúcia! Cada dia Ignez nos surpreende!

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