segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Viajando sozinha

Está pensando em viajar sozinha mas está na maior dúvida? Bate um medinho e você se pergunta se vai dar certo... Então o texto abaixo foi escrito para você.

Porque eu decidi me jogar no mundo e viajar sozinha

Texto e Fotos: Vitória Paiva

Quando eu comecei com a ideia de viajar sozinha, não botei fé que faria isso. Afinal eu nunca tinha viajado sem minha mãe ou sem amigos. Mas muitas coisas me motivaram a fazer isso e vou contar para vocês durante o texto. Já começo falando que se você quer fazer algo e não tem com quem ir, faça o seguinte: se joga e só vai.


Você é a sua melhor companhia
Bom, o que mais me motivou a fazer a viagem foi a falta de companhia. Nem todo mundo tem condições, interesse ou gosta de se aventurar por aí. Isso começou a me "incomodar" de certa maneira. Tenho muitos amigos, graças a Deus, mas, como disse, nem todos podem viajar ou, simplesmente, nem gostam. Felizmente ou não, eu amo viajar. Então, cogitei parar com essa dependência de alguém para ir. Sem ninguém te acompanhando você tem maior liberdade em escolher seus horários, passeios, onde ficar, etc... Liberdade é tudo, né?! Depois, li vários relatos de mulheres que viajaram sozinhas e comecei a ter inspiração e criar coragem. Foi então que eu cheguei à conclusão: você é a sua melhor companhia. Comprei a passagem, reservei lugar para ficar e fui. Meu destino foi Bonito, Mato Grosso do Sul, a capital de ecoturismo do Brasil.

Corajosa
Foi nesse momento que comecei a ouvir: "VOCÊ VAI VIAJAR SOZINHA PARA UM LUGAR QUE VOCÊ NÃO CONHECE NADA, NEM NINGUÉM?", "nossa, você é maluca", "vai conversar com quem lá? Sozinha?", "se acontecer alguma coisa, o que você vai fazer?", "que sem graça". Essas foram um pouco das frases que ouvi. Por outro lado um número pequeno de pessoas gostou da ideia. "Que corajosa", "sempre quis fazer isso, não tenho coragem, quando voltar me conta pra ver se eu crio", "que bom, tomara que dê tudo certo" foram alguns votos.

Enfim, agradeci aos bons votos, ignorei quem ficou chocado com a ‘notícia’, rezei bastante, pedi proteção e fui. Já havia pesquisado tudo sobre o local e vi que era bom de viajar sozinha (o), que a cidade era pequena/tranquila e o melhor: tinha hostel. Isso é ótimo para quem viaja sozinho e melhor ainda para quem quer economizar.

Parceiras de quarto
Hostel, para quem não sabe, é tipo albergue. Você divide o quarto com pessoas de qualquer lugar/nacionalidade. E isso me encantou ao escolher onde ficar. Poderia ter ficado em hotel? Sim. Mas pra que se eu ficaria restrita ao meu quarto e às quatro paredes? Aí sim eu iria falar sozinha. Daí vem mais um incentivo: a possibilidade de conhecer pessoas. E assim fiz. Ficando no hostel eu conheci MUITA, mas muita, gente. Compartilhei quarto durante toda minha estadia com uma paulista. Na mesma noite em que cheguei duas holandesas foram para nosso quarto. Saímos, as quatro, juntas e falamos inglês a noite toda. E olha que eu estava cansadíssima, sem pensar nem em português e pratiquei meu inglês. Ponto para minha escolha de ficar em hostel. Depois tivemos uma experiência desagradável com um casal no nosso quarto e pedimos para trocar. O casal não tinha espírito de hostel, ficavam dormindo de conchinha, ligavam o ar-condicionado sem nem saber se a gente estava de acordo. Enfim... só estresse. Mas trocamos de quarto. Foi aí que nos juntamos a outra paulista com quem já havíamos conversado anteriormente e, mais tarde, chegou uma alemã. Enfim, ficar em hostel me fez ter uma grande rede de contatos. E digo a vocês que não fiquei sozinha em momento algum.

Possibilidade de conhecer muita gente bacana
O turismo de Bonito consiste em passeios que são um pouco distantes da cidade, o que te faz utilizar o transporte compartilhado para os locais (a não ser que você alugue um carro ou tenha disposição de ir de bike). Esse foi mais um motivo pelo qual não fiquei sozinha. No transporte entrava muita família, viajantes sozinhos, casais... E nesse momento eu fazia amizades também. Conversávamos a caminho do passeio e chegando ao local eu sempre ficava junto de alguém. (Só para se ter uma ideia, eu fiz seis passeios e em três deles encontrei duas meninas coincidentemente – já que os passeios são fechados, geralmente, antes da viagem. Acabamos ficando juntas e como no hostel fizemos um churrasco com a galera elas foram também. É muita sorte, né?)

Enfim, viajar sozinha foi uma experiência única e aprovada por mim. Conhecer um lugar o qual eu nunca imaginaria conhecer, e acabar com o medo de não curtir foi ótimo, perfeito! Digo isso porque só depois dessa viagem comecei a ter espírito aventureiro, esse negócio de "se joga". E eu me joguei muito. Antes eu tinha receio e não cogitava ficar em hostel. Conheci muitas pessoas lá, saíamos juntos sempre, nos preocupávamos uns com os outros e compartilhamos várias histórias. Nos passeios idem.
 
A dica que dou para você, que tem medo, mas quer viajar sem ninguém (seja por escolha ou falta de cia), é: não pense e vá. O famoso ditado diz para não deixar para amanhã o que podemos fazer hoje, não é? Então é isso. Planeje sua viagem, leia textos incentivadores como esse (espero que tenha sido, rs), pesquise bastante sobre o local, veja o que há para fazer e compre o pacote. Não tenha medo. Como eu disse no começo do texto: só vai. E boa sorte!