sábado, 21 de janeiro de 2017

Roma tem lugares incríveis!

Impressões de uma brasileira em diário de uma viagem que aconteceu em maio de 1995

Por: Adriana Aguiar Ribeiro

Roteiro: Amsterdam (Holanda), Frankfurt (Alemanha), Zurique (Suíça), Innsbruck(Áustria), Veneza, Florença e Roma (Itália).


Minha única experiência de viagem em Roma aconteceu em 1995. Foi o último destino de trem, de uma grande viagem que teve início em Amsterdam. De lá para cá voltei a Itália algumas vezes, visitando outras cidades, mas só este ano programo rever Roma. Por isso, como forma de pontuar aquela primeira viagem,  transcrevo aqui o diário escrito na época. Para então, fazer um novo planejamento buscando enxergar a cidade e suas belezas com um olhar renovado.

“Roma... Tem lugares incríveis! Na chegada tivemos certa dificuldade para encontrar vaga em um hotel. Mas finalmente conseguimos um, por um bom preço e com banheiro no quarto. Sem café da manhã mas, em compensação, apenas um lance de escadas para subir. 

Saímos para passear pela cidade e fomos a uma Loja da Varig confirmar nosso voo para Lisboa. Fomos atendidos por um simpático senhor que tentou arranhar um português. 

As praças pela cidade estão cheias de gente passeando em grupos, com seus cachorros, ou estirada pelos gramados verdes claros, que anunciam a próxima chegada da primavera. 

Aqui encontramos muitos negros somalianos, com suas faces redondas, bocas pequenas e dentes alvos e salientes, de sorriso fácil. Muito bem arrumados, buscando melhores condições de vida na Itália. 

No segundo dia já saímos do hotel cedo, com Roma a nossa espera, para ser descoberta em apenas um dia. Partimos para a Roma Antiga. 

Para minha surpresa fomos abordados por um homem que se passava por um turista francês. Dirigia uma Mercedez e aproximou-se com um mapa na mão alegando estar perdido. Queria chegar ao Coliseu. Informamos o caminho que  deveria ser tomado e ele, agradecido, puxou conversa perguntando de onde éramos.” – Do Brasil.” Ele feliz contou que já tinha visitado nosso país. Conversa vai, conversa vem e o homem manifestou o desejo de nos presentear com um item da Pierre Cardim, empresa que ele representava na Itália. Recusamos e ele insistiu muito. E logo comentou que estava sem dinheiro para o combustível... Na hora entendemos tratar-se de uma tentativa de golpe. Fomos embora para adiante encontrar um casal de turistas que caiu no mesmo conto aplicado por um sujeito do mesmo tipo, com a mesma abordagem. Tive pena. Mas isso é comum acontecer principalmente com turistas em algumas grandes capitais.


Mais adiante me impressionei muito com o Coliseu. Não me canso de imaginar como em 72 depois de Cristo construíram uma obra daquela magnitude. O chão original já não existe e desvenda o subsolo, mostrando um labirinto de paredes. Ali eram mantidos prisioneiros e leões. De carona em algumas excursões guiadas, ouvimos as explicações dos guias. 

Batemos pernas pela Cidade Antiga, o Palatino, o Forum Romano... Tudo de mais antigo que se pode ver. Grupos e mais grupos de excursionistas enchiam praças e vias públicas. No camelô comprei “due malhi” de Roma. Cada uma custou 5.000 lire (3 dólares). O vendedor alertava que não podia abrir a embalagem. Quando abri descobri que uma das camisas tem três furinhos... Rsrsrs. Vamos ver o que acontecerá após a primeira lavada.

Andamos muito até chegar a Piazza Adriana, onde eu, naturalmente, fiz questão de posar para uma foto. Afinal, não é todo dia que visitamos uma praça que leva o nosso nome...

E dali, logo chegamos ao Vaticano. Uma visita realmente emocionante! Entrando pela Praça de São Pedro, chegamos a Basílica. Belíssima! Com sua pomposa Guarda Suíça Pontifícia. Fiz questão de me benzer com água benta e tocar o pé de São Pedro (já polido e reluzente, de tanto ser tocado) em agradecimento pela proteção nesta grande viagem.

Descemos as tumbas de São Pedro e dos Papas anteriores. Apreciamos as pinturas de Michelangelo no teto da Capela Sistina. Um deslumbre! A lojinha de souvenires do Vaticano também mereceu uma visita. Aproveitei para comprar selos do Vaticano e alguns postais. Sobre os postais, observo que comprei e fiquei aguardando o troco. E a freira, não sei se fazendo-se de rogada, foi para o outro lado atender novos clientes, guardando o troco. É, a madre me deu “uma volta” e, para isso, precisou de muito menos lábia que o suposto turista francês.

Fomos para o correio, que fica na Praça São Pedro. Dividi uma grande mesa com outros turistas que se espremiam para preencher seus postais. Entre nós, uma noviça, que a cada selo colado na correspondência dava uma pancada tão forte, que estremecia a mesa. Observei que ela tinha uns cinquenta selos a colar...

Apressamos-nos, pois a Fontana de Trevi nos esperava. O mapa cortesia do Mc Donald’s mostrava que até lá seria uma grande caminhada. E, atravessando uma ponte logo depois da Praça Adriana, duas jovens aproximaram-se de nós com um jornal estendido sobre a barriga e resmungando alguma coisa. Para este golpe já estávamos avisados pelos nossos amigos italianos. Por isso nos afastamos delas. O golpe do jornal: estendem o jornal e conversam, enquanto por baixo do jornal tentam roubar qualquer coisa. Não sei como isso funciona, nem quero saber. E logo adiante, houve nova tentativa de golpe mal sucedida. Uma senhora baixinha, tentando parecer bem vestida (tailleur vermelho, scarpin preto e bijoux douradas. Rsrsrs), passou em nossa frente. O suposto marido com a câmera na mão chamou nossa atenção para que saíssemos do caminho, ao que ela ia se aproximando de nós. Uma cena estranha que aconteceu enquanto um grupo de turistas aguardava o sinal abrir. Atravessando a rua, paramos para observar que eles repetiam a cena. Mudavam um pouco de lugar, mas seguiam no mesmo ritual. Umas tentativas de golpes amadores contra os pobres turistas.

Que cidade difícil de andar que é Roma com suas ruas estreitas e tortas.Demoramos a chegar em um aglomerado turístico, mas ainda não era a Fontana. Era a famosa Piazza de Espanha. Paramos para comer um sanduíche. Enjoamos de massas! 

Seguindo um pouco mais, chegamos a grande e bonita Fontanna de Trevi, espremida entre muitos prédios. Lotada de turistas jogando suas moedinhas. Claro que joguei a minha, para um dia voltar a Roma. Observei que a fonte é bem policiada e imagino que seja para evitar que alguém roube as moedinhas jogadas ali. 

Retornamos ao hotel já ao anoitecer. Que dia cansativo de tantas caminhadas. A noite foi de pizza. 
Hoje cedo viemos para o aeroporto de Fiumicino. Pegamos um trem até aqui. Voaremos para Lisboa. Liguei para mamãe que diz que está tudo bem no Brasil. Que bom! Vamos despachar a bagagem, pois já está aberto o balcão."

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